domingo, 18 de setembro de 2016

Doping no trabalho não é só no Dr. House: afecta cada vez mais portugueses

In “Sábado”:

O Dr. House automedicava-se na série de culto, mas também há quem o faça fora da ficção - e dentro do escritório, com consumos preocupantes. Um advogado de Lisboa, solteiro, de 27 anos, queria trabalhar mais e melhor, mas acabou nas urgências. Um consultor divorciado, de 44 anos, passou pelo mesmo em diversas ocasiões (a juntar a um quadro de paranóias e ataques de pânico). Ambos tomavam comprimidos para obterem níveis de desempenho extraordinários e ficarem 100% focados. A atenção induzida artificialmente permitia-lhes fazer directas sucessivas, sem praticamente sintomas de fadiga.


Estes fármacos, designados de psicotrópicos, têm como princípio activo o metilfenidato. São submetidos a um apertado controlo de venda nas farmácias e oficialmente prescritos para quem sofre de hiperactividade e défice de atenção. Nem o advogado, nem o consultor tinham este diagnóstico. Mas obtiveram os medicamentos por outras vias. No início, sentiam-se invencíveis, com super-poderes nas capacidades de trabalho. E depois? Depois, foi um pesadelo: mudanças de comportamento, arritmias, exaustão, curas de sono, etc.

 

Para o advogado, o episódio das urgências serviu de lição e foi um catalisador de mudança. A terminar um processo de psicoterapia, de um ano e nove meses, confessa à SÁBADO:"Diria que mais vale habituar-mo-nos às nossas capacidades humanas e tentar cuidar delas." À sociedade em geral deixa um aviso: "Tem de desacelerar, os empregadores têm de perceber que não é normal as pessoas trabalharam 12 a 18 horas por dia, as faculdades têm de olhar para os jovens à sua frente como adultos em desenvolvimento com necessidades variadas, como dormir e socializar. Ainda há muito a fazer." António também está a recuperar deste e de outros consumos, na clínica de desintoxicação Ran, em Vila Real.


A par dos casos-limite e dos pareceres de vários especialistas, a SÁBADO revela-lhe em primeira mão um estudo realizado pela Autoridade Nacional do Medicamento e Produtos de Saúde (INFARMED). Os números falam por si:

em 2003, a venda destes medicamentos ainda não era muito expressiva (2.597 embalagens);

em 2006 passou para 52.481;

em 2010 para 133.562;

e em 2015 atingiu 287.336. Um aumento de 547,5% na última década.

 

Leia toda a história na edição 646 da revista SÁBADO, de 15 de Setembro de 2016:

“Sobrecarga de trabalho, competição e stress para começar.

À fórmula tóxica junte-se um advogado de 27 anos, solteiro, com aspirações de carreira, obstinado pela performance e pouco flexível às críticas. O colapso antevê-se nas próximas linhas.

Os emails não paravam de cair na caixa de correio, as solicitações eram inúmeras e a equipa estava desfalcada devido à baixa de uma colega.

Era o momento do vale tudo para dar resposta aos pedidos, com prazos muito apertados, e João valia-se de um trunfo em formato de comprimido que lhe dava super poderes. Enveredou pela via rápida do doping.

A poção mágica, de reforço positivo no início, revelar-se-ia nociva para o recém maratonista de escritório. Consistia num fármaco, à base do princípio activo de metilfenidato, indicado para o tratamento da hiperactividade com défice de atenção (PHDA) e vendido mediante prescrição médica….”

Farmácias fiscalizadas e multas até €100mil”

“A atenção induzida artificialmente tem um lado oculto no mercado de trabalho – à margem da doença de PHDA –, sobre o qual, tanto médicos como farmacêuticos, psiquiatras e outros especialistas, consultados pela SÁBADO, manifestam alguma relutância em falar.

Os números oficiais, analisados num estudo comparativo da Autoridade Nacional do Medicamento (INFARMED) e que a SÁBADO revela em primeira mão, indicam um aumento exponencial no uso destes fármacos, cujos princípios activos são o metilfenidato (psicotrópico) e a atomoxetina (estimulante do sistema nervoso central).”

Ver também:

O que necessito saber a luta contra a DOPAGEM NO DESPORTO

quarta-feira, 7 de setembro de 2016

Como manter a calma quando sabemos que vamos stressar

In www.ted.com:

Quando estamos stressados, não estamos na nossa melhor forma. Na verdade, o cérebro evoluiu nos últimos milénios para produzir cortisol em situações de stress, impedindo o pensamento racional e lógico, mas ajudando-nos a sobreviver, digamos, ao ataque de um leão. O neurocientista Daniel Levitin acha que é possível evitar erros críticos em situações de stress, quando não conseguimos pensar direito — o "pre-mortem". "Todos vamos falhar, de vez em quando", diz ele. "A ideia é pensar mais além e identificar essas falhas antecipadamente."

sábado, 19 de dezembro de 2015

Rubem Alves: e se os exames de acesso à Universidade fossem substituídos por um sorteio?

A proposta, insólita e aparentemente absurda, teve pelo menos um mérito – desencadear o debate.

Quais seriam as consequências?

In “Folha Online - Sinapse - Rubem Alves: A utopia do fim do vestibular - 28/10/2003”:

1. A primeira consequência seria o imediato fechamento dos cursinhos. Não teriam mais razão para existir. As classes mais abastadas, que podem pagar seu preço, não teriam como gastar esse dinheiro. (Uma curiosidade: alguém já fez um cálculo de quanto dinheiro se gasta anualmente no preparo para esse ritual inútil? Quanto vale o mercado dos vestibulares? Sei que é muito dinheiro...)

2. Eliminados os vestibulares, as escolas de primeiro e o segundo graus (eu ainda uso terminologias antigas...) estariam livres para ensinar.

Não teriam de se ajustar ao imperativo de "preparar para os vestibulares". São os vestibulares que determinam os rumos das escolas. Os professores que preparam as suas questões o fazem na ignorância de que suas escolhas vão estabelecer o rumo das escolas do sistema educacional brasileiro e o destino das crianças e dos adolescentes. Essa é a razão por que as escolas "fortes" se dedicam a treinar os seus alunos com questões de vestibulares anteriores: ITA (1997), USP (1985), Unicamp (2001), etc.

Livres dessa guilhotina, as escolas poderiam se dedicar à literatura por puro prazer, sem ter de ler dinamicamente resumos dos clássicos. Poderiam levar os alunos pelos caminhos da pintura, da poesia, da música, da história da ciência... Haveria lugar para o sonho dos alunos. A importância dos sonhos? Todo conhecimento começa no sonho. Não é à toa que Polya, matemático húngaro que ensinou na Universidade de Princeton, no seu curto livro sobre a arte de resolver problemas, tenha aconselhado: "Comece pelo fim". A resolução do problema é a ponte que se constrói para chegar a esse fim —se é que o aprendiz o sonhou. Primeiro, o sonho da casa; depois, os conhecimentos práticos necessários para construir a casa. Primeiro, o sonho das asas; depois, a milenar investigação de como voar como as aves.

Um amigo meu, o alemão Polykarp Kusch, Prêmio Nobel de Física e ex-presidente da Universidade de Columbia, me confessou que, após ganhar o prêmio, abandonou a pesquisa e passou a se dedicar ao ensino —não dos pós-graduados, mas dos jovens. E os seus cursos começavam sempre com a mesma pergunta: "O que é necessário pressupor para que se faça a ciência da física?" A resposta é simplíssima, embora seja necessária uma longa gravidez e um longo trabalho de parto para que ela surja dentro dos alunos. Dizê-la, simplesmente, de mão beijada aos estudantes, não funciona. Porque nós só entendemos realmente quando o conhecimento é construído como ponte, passo a passo. Conhecer é construir pontes entre o sonho, estrela distante, e o lugar onde me encontro. Como disse Guimarães Rosa, a coisa não está nem na partida nem na chegada. Está na travessia...

A resposta é a seguinte: para fazer física, é preciso pressupor que o universo seja ordenado e racional. Os grandes físicos estão em busca dessa ordem universal. O seu sonho é decifrar as regras desse xadrez fantástico que é o universo. As escolas deveriam ser "sonhatórios" (pois não há "escritórios"?), onde nasceria o pensamento inteligente! Mas isso é incompatível com a ameaça dos vestibulares, que esperam os alunos à moda da esfinge de Édipo: "Dá-me a resposta certa ou te devoro!".

Se os vestibulares fossem substituídos por um sorteio, o fantasma das respostas certas desapareceria, e as escolas poderiam se dedicar à arte de pensar, que é a arte de fazer perguntas inteligentes.

3. Embora haja raras exceções, a regra é que os cursinhos sejam o caminho para passar nos vestibulares e entrar na universidade. Mas os vestibulares e suas crias, os cursinhos, são uma porta estreita que tem uma clara "opção preferencial pelos ricos".

Entram nas universidades públicas gratuitas os que têm mais dinheiro. Os mais pobres ficam de fora.

Têm de se contentar com universidades particulares pagas, se é que podem. O atual sistema é, assim, um jogo de cartas marcadas. Injusto socialmente. Com o sorteio, todos —ricos e pobres— teriam oportunidades iguais.

Já se fez a sugestão de cotas para os negros, que estão entre os mais seriamente discriminados pela porta estreita. Mas esse artifício não resolve os problemas educacionais que indiquei, produzidos pelos vestibulares. E é provável que crie uma séria consequência social: será impossível evitar que os "brancos" que "quase entraram" desenvolvam um sentimento de raiva contra "os negros que entraram por favor", culpados de eles terem ficado de fora.

In “Folha Online - Sinapse - Rubem Alves: O sorteio é mais justo - 25/11/2003”:

4. Os ricos, vendo que a loteria é cega e ignora a riqueza e vendo que os seus filhos não são sorteados, liberados que estão de todas as despesas que tinham anteriormente com os cursinhos, passariam a dispor desses recursos para criar excelentes universidades particulares, sem que o governo tivesse necessidade de fazer qualquer investimento.

5. Eu sou pai. Meus filhos tiveram de frequentar cursinhos e fazer vestibulares. Sei do sofrimento dos pais. Dói muito ver o filho ser reprovado depois de ter passado um ano miserável estudando como um louco coisas que não fazem sentido e serão esquecidas, tais como: "Calcule o logaritmo neperiano da enésima potência da própria base"; "O fenômeno da trissomia é provocado pela: (a) simples deleção dos cromossomos; (b) não-disjunção das cromátides; (c ) não-reversão que ocorre na diacinese; (d) translocação do cromossomo na mitose"; "Quais os afluentes da margem esquerda do rio Amazonas?".

Primeiro, vem o sentimento de injustiça, vendo o processo de tortura inútil a que o próprio filho é submetido. Depois vem o sentimento de inveja... "Meu filho entrou em medicina na USP. E o seu? O meu não passou. Terá de fazer cursinho de novo..."

Dostoiévski, se minha memória não falha, comentando sua experiência de prisão, disse que havia imaginado uma maneira de enlouquecer os presos: bastava submetê-los ao trabalho forçado de esvaziar uma piscina levando a água em baldes para uma outra. Depois de cheia a segunda piscina, eles teriam de fazer a mesma coisa com ela: esvaziar para encher a primeira. Infinitamente.

Fazer o cursinho de novo, a mesma coisa... É terrível ver o filho vivendo a maldição de Sísifo... Com o sorteio, o pai, ao ver que o filho ficou de fora mais uma vez, dá-lhe um abraço e diz: "Vamos tomar um chope?".

Estou consciente da objeção que paira no ar: sem o terror dos vestibulares, os ensinos fundamental e médio se deteriorariam, pois seriam apenas "pro-forma", já que o aprendizado seria irrelevante para o ingresso nas universidades. Mas esse é um perigo facilmente evitado.

O término do ensino médio seria marcado por uma exame nacional, preparado e aplicado pelo Ministério da Educação. O objetivo desse exame seria verificar se os alunos haviam atingido o nível mínimo de aprendizagem exigido.

Não seria classificatório. Haveria apenas os conceitos "aprovado" e "reprovado". Todos os aprovados teriam atingido o patamar de conhecimento julgado suficiente. Poderiam entrar no sorteio. Os outros não. Tal exame seria, ao mesmo tempo, um instrumento para avaliar a qualidade de ensino nas escolas.

Já foi sugerido que, para evitar o vestibular, o ingresso nas universidades deveria se basear no histórico escolar do aluno. Para mim, isso seria um desastre. Eu não entraria. Como já confessei, fui mau aluno. E afirmo que, com honrosas exceções, os professores que tive não mereciam que eu aprendesse o que eles diziam estar ensinando.

Currículos escolares de que escolas seriam dignos de crédito? De todas? E as burlas? Como impedir que escolas inescrupulosas oferecessem históricos escolares fajutos, com entrada garantida na universidade? Para evitar tal possibilidade, seria necessário criar um clube de escolas de elite, cujos históricos escolares seriam dignos de crédito. Somente os históricos escolares de alunos de tais escolas seriam aceitos. Mas escolas de elite são caras... Só os ricos poderiam pagar. Tal sistema produziria uma brutal discriminação contra os pobres, pior que aquela que atualmente existe. A emenda seria pior que o soneto...

Ver também:

Expresso | O sorteio é mais justo que os exames?

sábado, 28 de fevereiro de 2015

Corrupção governamental é rastilho para extremismo violento!

In “Jornal de Negócios”:

Com os olhos postos no crescente extremismo, a ideia de que a corrupção pode surgir como consequência da instabilidade global que se verifica em vários locais do mundo não é nova. Inovador é, ao invés, o argumento que reza que a mesma pode ser a sua principal causa. Sarah Cheyes, ex-jornalista e actual conselheira para as questões árabes da administração Obama, elege a corrupção governamental severa como o elo de ligação entre as diferentes e avassaladoras crises internacionais. E não deixa os Estados Unidos de fora…

Começa a não ser novidade o facto de, todos os dias, sermos inundados com imagens brutais que parecem confirmar que a humanidade está, de forma crescente, a desumanizar-se: seja pelos conflitos sanguinários no Iraque e na Síria, seja pelo impasse face à situação na Ucrânia, pelas raparigas raptadas no norte da Nigéria ou pelos ataques de extremistas na Europa. E a questão que se coloca é a seguinte: existe algum elo de ligação entre estas avassaladoras crises internacionais?

De acordo com Sarah Cheyes, ex-repórter premiada da National Public Radio e associada sénior do Democracy and Rule of Law Program no Carnegie Endowment for International Peace, a ligação, que pode ser inesperada, é clara: a corrupção.

De acordo com a autora do livro The Thieves of State: Why Corruption Threatens Global Security – e também da obra The Punishment of Virtue: Inside Afghanistan After the Taliban -, e em particular a partir da década de 1990, os níveis de corrupção atingiram uma proporção tal que "alguns governos se assemelham a gangues criminosos glorificados, preocupados apenas com o seu próprio enriquecimento. Estes cleptocratas conduzem as populações indignadas a extremos, seja através de revoluções ou a um tipo de religiosidade puritana militante", escreve.

Detalhando a sua ampla experiência e vivência no Afeganistão (onde viveu, fez parte de uma ONG e construiu uma cooperativa), em conjunto com uma pesquisa pormenorizada sobre pensadores de várias épocas – de Maquiavel, a John Locke ou ao famoso chefe de Estado medieval islâmico, Nizam Al-Mulk e sobre vários dos conflitos actuais, Sarah Cheyes ilustra, de forma inovadora e surpreendente, de que forma a corrupção não só tem impacto na vida das "pessoas comuns", como ameaça, perigosamente, a segurança e a estabilidade dos países.

A autora "mergulha" o leitor nas profundezas de alguns dos mais corruptos ambientes do planeta e analisa o que deste mar imenso vai emergindo: o regresso dos afegãos às fileiras dos Talibãs, os egípcios que derrotaram o governo de Mubarak – mas que estão também a redefinir a Al-Qaeda -, ou o terror infligido pelo grupo Boko Haram, entre outros capítulos sangrentos que estão, na actualidade, a ser inscritos num feio livro de(a) História. Apresentando uma forma nova para compreendermos o extremismo global, Sarah Cheyes apresenta argumentos fortes para olharmos para a corrupção como causa – e não como resultado – da instabilidade global. E não deixa os Estados Unidos – e outros países ocidentais – de fora.

Corrupção governamental é rastilho para extremismo violento

Por que motivo é que quase metade da população iraquiana está a pactuar com o mais do que psicótico e autodenominado Estado Islâmico? O que ou quem permite que os militantes do Boko Haram cometam atrocidades desmedidas e estejam a ganhar terreno no norte da Nigéria? Se o Iémen está a ser atacado regularmente por drones, como é que as fileiras da Al-Qaeda continuam a engrossar na Península Arábica? De acordo com a autora, são cada vez mais os países – em especial os que, há quatro anos, se revoltaram na famosa Primavera Árabe – que estão a impulsionar códigos morais rígidos como o antídoto certo face ao colapso da integridade pública.

E tudo isto porque as populações, cansadas de viver num clima de corrupção diária e sentindo-se insultadas e injuriadas continuamente pelos seus próprios governos, eles mesmos os principais perpetradores desta "cultura", começam a acumular raiva sobre raiva e a deixarem crescer o rastilho da violência. Sarah Cheyes ilustra bem a dimensão da corrupção em vários destes locais: pessoas que, para terem a certeza que os seus filhos são bem tratados na creche, têm de pagar às educadoras; as que precisam de ser atendidas num hospital público, têm de pagar aos médicos: as que pretendem que os seus filhos sejam aceites em universidades, são obrigadas a vender os seus bens para garantir a sua "inscrição" ou ainda um caso em específico, no qual é narrada a inacreditável história de um filho que, para conseguir uma certidão de óbito para o pai, morto por uma bomba, ter tido de pagar aos oficiais em causa para a obter, entre outras "actividades" similares.

Para continuar a ler o artigo clique aqui

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2015

sexta-feira, 30 de agosto de 2013

O Meu Programa de Governo - José Gomes Ferreira

Propostas para uma economia mais produtiva e para uma sociedade mais equilibrada.

 

18111296O livro que mostra aos portugueses que há soluções para sair da crise e o que devemos fazer para evitar a repetição dos erros do passado.

 

“Os culpados pela situação actual do país foram a Esquerda irresponsável, a Direita dos interesses e o grande Centrão da Indiferença.”

 

A minha vida pessoal e o meu percurso profissional deram-me a possibilidade de analisar a sociedade portuguesa, a economia, a governação e a realidade europeia e mundial com algum grau de pormenor, permitindo-me sistematizar um conjunto interpretações sobre a complexa situação a que chegámos e formular um conjunto de propostas para a alterar, que tenho transmitido frequentemente em intervenções públicas, em televisão, em conferências ou debates.


Não sou candidato a nada, nem sou político, sou jornalista, mas aqui está O Meu Programa de Governo - que é muito mais do que isso, é um conjunto de propostas de renovação da sociedade portuguesa, não certamente uma proposta exaustiva, mas com um grau de pormenor suficiente para convidar a reflectir quem tem os vários poderes de decisão, político, económico, social, cultural e para promover as mudanças de fundo de que Portugal precisa.


Se são propostas úteis ou não, será vosso o julgamento!

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

O Cisne Negro - Nassim Nicholas Taleb

O_Cisne_Negro Um Cisne Negro é um acontecimento altamente improvável que reúne três características principais:

é imprevisível;

produz um enorme impacto; e,

após a sua ocorrência, é arquitectada uma explicação que o faz parecer menos aleatório e mais previsível do que aquilo que é na realidade.

 

 

Inicio :

“Antes da descoberta da Austrália, as pessoas do Velho Mundo estavam convencidas de que todos os cisnes eram brancos.”

 

“O banco da Reserva Federal protegeu-os à nossa custa, com o dinheiro dos nossos impostos: quando os banqueiros «conservadores» têm lucro, ficam eles com os benefícios; quando têm prejuízo, pagamos nós.”

 

Em 1907, o capitão do Titanic afirmou que jamais estivera envolvido em qualquer acidente. Até que em 1912, e o navio afundou.

 

Em 1982, os grandes bancos americanos perderam praticamente todo o ganho acumulado anteriormente. Tudo que fora gerado na história desses bancos foi perdido num único ano! Eles tinham vindo a conceder  empréstimos a diversos países da América do Sul e América Central, e esses países falharam o pagamento todos na mesma altura. Um "acontecimento de natureza excepcional".

O crash de 1987 nas bolsas é outro exemplo, ou então a falência quase instantanea da LTCM em 1998, uma empresa de investimentos financeiros...

 

“Esqueça tudo que aprendeu na faculdade sobre estatística ou sobre a a teoria da probabilidade. Se você nunca estudou esses tópicos, melhor ainda. Comecemos bem do princípio”. “Existem outras idéias que possuem pouca ou nenhuma importância fora da curva na forma de sino gaussiana: correlação e, pior ainda, regressão. Mas elas estão profundamente incrustadas em nossos métodos: é dificil ter uma conversa de negócios sem ouvir a palavra correlação.”

 

 

sábado, 10 de setembro de 2011

Satélite (UARS) que vai cair na Terra preocupa NASA

In "Expresso.pt":

Entre final de setembro e outubro um satélite à deriva deverá cair na Terra. Para já, a NASA não sabe que região poderá ser atingida pelos mais de 500 quilos de metal.

satelite-58bc A agência espacial norte-america, NASA, reconheceu estar "preocupada" com a queda prevista para final de setembro e outubro, de um satélite com mais de 20 anos.

Os restos mortais do Upper Atmosphere Research Satellite (UARS) podem cair em qualquer lugar mas, segundo os cientistas, a possibilidade de atingirem alguém é de um para 3.200. Com efeito, parte do equipamento de 5.9 toneladas deverá desintegra-se ao entrar na atmosfera terrestre, onde não deverá chegar, pelas contas da NASA, cerca de 544 quilos de metal.

Bem menos do que estação espacial russa Mir de 123 toneladas, que caiu na Terra em 2001 ou do Skylab (91 toneladas), atingindo a superfície terrestre em 1979. Em ambos os casos ninguém foi atingido.

Um para 10.000

"Desde o fim da corrida do espaço que reentram regularmente na atmosfera objetos, sem que ninguém tenha sido atingido até à data", lembrou Gene Stansbery, da NASA. "Isso não significa que não estejamos preocupados", acrescentou.

Atualmente, a NASA tem uma regra, segundo a qual, a possibilidade de um satélite atingir alguém não poderá ser maior do que um para 10.000. Só que o UARS foi lançado em 1991, bem antes dessa regra ter sido adotada.

Este satélite, sem combustível desde 2005, foi lançado com o intuito de estudar as alterações climáticas, medindo a concentração de determinadas substâncias químicas na atmosfera.

"É muito cedo para dizer com rigor quando é que o UARS deverá rentrar na atmosfera, e em que região deverá cair, mas a NASA segue a situação de muito perto", rematou Gene Stansbery.

 Expresso.pt

Upper Atmosphere Research Satellite (UARS) movie part 1:

 

Upper Atmosphere Research Satellite (UARS) movie part 2:

quinta-feira, 21 de julho de 2011

Chegou ao fim a odisseia dos vaivéns espaciais

In "PUBLICO.PT":

O vaivém Atlantis aterrou às 10h57 (hora em Portugal) no Centro Espacial Kennedy, em Cabo Canaveral, Florida, com quatro astronautas a bordo. Foi a última viagem de um vaivém da NASA.

348102   

O vaivém aterrou pouco antes do nascer do Sol (às 05h57, hora local), cerca de uma hora depois de ter entrado na atmosfera terrestre e de ter sobrevoado a América central. Em piloto automático durante toda a descida, o comandante Chris Ferguson assumiu os comandos da nave manualmente para alinhar o vaivém com a pista de aterragem.


"Missão cumprida, Houston. Depois de ter servido durante mais de 30 anos, a nave espacial americana conquistou o seu lugar na História", disse o comandante do Atlantis, pouco depois da aterragem.


Depois, os quatro astronautas - Chris Ferguson (comandante), Doug Hurley (piloto) e os especialistas de missão Sandra Magnus e Rex Walheim - procederam a uma série de avaliações aos sistemas de segurança.


Este é o fim da missão do Atlantis, que passou oito dias, 15 horas e 21 minutos acoplado ao laboratório orbital.


“Os vaivéns espaciais mudaram a forma como vemos o mundo, a forma como vemos o universo”, acrescentou Ferguson . “A América não vai parar de explorar [o espaço]”, garantiu Ferguson, agradecendo o fim do programa, com sucesso.


O Atlantis saiu da Terra no passado dia 8 de Julho, com o objectivo de transportar quatro toneladas de carga em comida, roupas e equipamento para um ano de trabalho da ISS. A carga foi armazenada no módulo italiano Raffaello, de 6,5 metros de comprimento, que ficou acoplado à estação durante estes dias. Os astronautas descarregaram o que havia no módulo e voltaram a enchê-lo com lixo produzido na ISS e material que já não é necessário, voltando à Terra com o Atlantis.


Foi o 33º voo deste vaivém, que se estreou no espaço em Outubro de 1985.


O fim da frota de vaivéns espaciais da NASA foi decidido pelo Governo norte-americano, em parte devido aos elevados custos de manutenção das naves. As cinco naves do programa espacial realizaram mais de duas mil experiências nas áreas das ciências da Terra, Astronomia, Biologia e Materiais. Ao longo destes anos, acoplaram em duas estações espaciais: a russa Mir e a ISS.


Agora, a curto prazo, a NASA vai depender da Rússia para transportar astronautas de e para a Estação Espacial Internacional (ISS).


O Atlantis ficará exposto no centro de visitantes no Centro Espacial Kennedy, e os Discovery e Endeavour - que cumpriram as suas últimas missões no início deste ano - ficarão à guarda do Museu do Ar e do Espaço (Virgínia) e Centro de Ciências da Califórnia, em Los Angeles, respectivamente.

segunda-feira, 25 de abril de 2011

O 25 Abril 1974

O 25 Abril 1974:

25 de Abril 1974 PORTUGAL (FILME A CORES), Revolução dos cravos. Révolution des oeillets, a cores:

Revolução do 25 de Abril de 1974:

Portugal Lisboa Revolução de 25 de Abril de 1974:

quarta-feira, 23 de março de 2011

No rasto das Invasões Francesas

In "Guerra dos Sapatos":

...

1 - GPeninsular

As vítimas em meio rural – Um relance pelas freguesias de Abrantes

- Aldeia do Mato
Foi, juntamente com o Souto, uma das mais sacrificadas... Segundo o testemunho do seu cura-reitor António de Matos Ferraz, que fugiu da paróquia amedrontado, «No mês de Novembro de 1810 entrárão os Franceses nesta freguesia e no ano de 1811, e destruírão a igreja matriz de maneira que só deixárão ás paredes, e matárão muita gente desta freguesia e de outras mais, e presentemente digo missa nas casas da minha residência, e para constar fiz a presente declaração» (RP).
As vítimas directas à mão da tropa francesa somaram 13 moradores com morte violenta e imediata, que a seguir se discriminam, todos em 1811:
- A 21 de Março – João Soares, do Souto, sepultado no campo em um lugar bento e assinalado pelo cura, registado a 27; e um outro indivíduo que o cura identificou como sendo do lugar do Contraste, sepultado a 22 também em campo bento.
- Achados mortos entre 27 e 29 de Abril e todos enterrados no campo – António Amaro, natural do Souto e que morava a soldada com Manuel Fernandes, das Fontainhas; Simão Joaquim, que era casado com Maria Antónia, da Medroa; Manuel Rodrigues, casado com Damásia Maria, da Medroa; Cipriana, filha do casal anterior; Manuel Francisco, viúvo de Mariana Vicente, do lugar das Casinhas; outro Manuel Francisco, casado com Maria Nunes, da Carreira do Mato; Manuel Pires, casado com Ana Maria, da Carreira do Mato; Francisco, filho do casal anterior; João, criado de António José dos Santos, também da Carreira; José Lopes, ainda da Carreira; um outro Manuel Francisco, casado com Eugénia Maria, da Cabeça Gorda.
- Achado morto pelos franceses a 3 de Maio – José dos Santos, do lugar das Figueiras.
Contudo, analisando globalmente os óbitos da paróquia, verificamos que os custos indirectos terão sido enormes, pelo pânico instalado mormente entre crianças, pela doença (“maligna”) e pela fome, «por estar a freguesia invadida do inimigo». Assim, se em 1807, ano da 1.ª invasão, encontramos apenas 13 óbitos, em 1808 já se registou uma ligeira subida (21), em 1809 houve 19 e em 1810 (ano da nova invasão) outros 19; mas em 1811 as cifras ascenderam a um total record de 82 óbitos, sendo os piores meses os de Abril com 32 (11 assassinados pelos franceses), Maio com 24 e Março com 7 (2 pelos franceses); em 1812 houve 24 e em 1813 houve 18. Faltam os dados completos de 1814.


- Alvega
Nenhuma anomalia se assinala nos livros de assentos ao longo dos anos de 1807 a 1810, não se dispondo de dados a partir de 12 de Maio de 1811. Nos primeiros meses deste último ano, porém, não só se verificou um aumento substancial da mortalidade (48 em Janeiro/Fevereiro e 36 em Março Abril), como um aumento de deslocados vindos das freguesias da margem direita/norte do Tejo, tendo mesmo ocorrido uma morte, a 13.1.1811, de um indivíduo chamado João Marques Casquilho, do Casal da Carregueira (Mação), «morto pelos Franceses junto ao mesmo rio Tejo no sítio das Fouzeiras», o qual foi sepultado no dia 17 seguinte no adro de Alvega. A falta do livro de assentos seguinte, que incluía o período crítico de 1811-1812, poderá no entanto esconder algo de anormal...


- Bemposta
Não registou esta freguesia especial anormalidade demográfica entre Novembro de 1807 e Janeiro de 1812, para além de um substancial aumento da taxa de mortalidade: em Outubro de 1810 todos os covais da igreja estavam impedidos, pelo que se recorreu ao adro. Contudo, também desta freguesia desapareceu o livro de óbitos seguinte, que incluía o ano de 1812.
Por tradição consta que, no sítio da Salgueirinha, um grupo de soldados franceses em fuga defrontou habitantes da zona. É possível que se trate do episódio de 17.8.1808, que envolveu a fuga e a morte do corregedor francês, a que já acima aludimos...


- Martinchel
Terá sido, seguramente outra das freguesias sacrificadas, mas faltam os dados: No ANTT os assentos vão só até 1772 [no Arquivo Distrital de Santarém (= ADS) temo-los somente após 1860].

- Mouriscas
Nada de anormal até 1808, salvo um assento a assinalar a morte «de repente com hum tiro pelos franceses» de José Álvares, do Casal do Pinheiro desta freguesia, a 4.12.1807, no decurso da 1.ª Invasão. Mas em 1809 o número absoluto dos óbitos sobe de 24 (do ano anterior) para 84, saldando-se em 1810 nos 50, em 1811 nos 86 e em 1812 nos 35, um sintoma evidente da crise trazida pelas invasões. Vítimas directas, «na guerra», há a registar apenas mais um morador, o miliciano José dos Santos, do Casal da Igreja, no dia 20.4.1811. Os Óbitos de 1811 assinalam, porém, alguns casos de pessoas que faleceram sem sacramentos «por causa da opressão da tropa francesa» (em Fevereiro) ou que se encontravam «refugiadas da tropa francesa» em casais desta freguesia (Engarnais Cimeiros - 1 e Entre Serras - 3, todos estes vindos do Sardoal), em Alvega (4, todos falecidos na primeira quinzena de Março) e no Pego (Casal dos Facheiros, 1, Bernardo Delgado, do Casal dos Canenhos). É de salientar ainda a morte de dois soldados portugueses, um do Regimento de Infantaria de Chaves, no Casal dos Cascalhos, a 12.8.1811; e o outro da 1.ª Comp.ª de Granadeiros, natural do concelho de Penaguião, que ia conduzido ao hospital de Abrantes, e morreu de repente em Abril de 1812 na estalagem de Francisco Denis.


- Pego
Faltam informações para o período em análise: livros de óbitos no ANTT só os temos até 1773; no ADS, só após 1819...;


- Rio de Moinhos
Aparentemente também nada de anormal ocorreu nesta freguesia, para além do natural acréscimo do número de óbitos nestes anos da Guerra: em 1809 ascenderam os valores absolutos a 79 (tinham sido apenas 28 em 1808), baixaram a 45 em 1810, voltando a subir nos anos seguintes (87 em 1811 e 48 em 1812).


- S. Facundo
Situação idêntica à do Pego e Martinchel: o livro de óbitos do ANTT só vai até 1803; no ADS, só após 1825...


- S. Miguel do Rio Torto
Faltam os assentos desde Junho de 1807 a 28.11.1809. Os anos seguintes registam óbitos acima da média (56 em 1810, 89 em 1811 e 60 em 1812), mas apenas num caso se diz que foi morto pelos Franceses: ocorreu esse óbito a 24.12.1810, na pessoa de José Rodrigues Braz, que era de Aldeia do Mato, casado com Maria Teresa, tendo a vítima ficado sepultada na igreja de S. Miguel, sem sacramentos. Particularidade de notar é o enterramento nesta mesma igreja de duas pessoas em 3 e 4 de Novembro de 1811, respective João Castanho Bertinho, da freg.ª de S. João (Abrantes), e Soror Rita Joaquina do Céu, do Convento da Graça, «por S. João e S. Domingos se acharem ocupados com víveres para as tropas (portuguesas)».
Nesta freguesia existe a capela de N.ª Sr.ª da Conceição, que segundo a tradição se ficou a dever a um episódio das Invasões por aqui ocorrido [entre 1808-1812], tendo na ocasião um oficial francês oferecido uma belíssima imagem da Senhora da Conceição (em jaspe) a uma lavradora do Valongo ou Vale Longo, que o tratara como boa samaritana [Ao que julgo saber, a senhora chamava-se Mariana Lopes, e o oficial bem poderia ter sido o corregedor francês ou um seu subalterno dos que se escapuliu para aqueles lados depois da tomada de Abrantes a 17 de Agosto de 1808]. Donde afinal se prova que, neste processo histórico, os franceses não cometeram somente violências e latrocínios: também souberam ser gratos e generosos...
13 -NS.ª Conceição
A belíssima imagem de N.ª Sr.ª Conceição, que se guarda em S. Miguel do Rio Torto


- Souto
Não obstante os assentos paroquiais desta freguesia nada revelarem de anormal, a avaliar pelo que nos chegou via paróquia de S. Vicente e também pelas queixas dos moradores aos responsáveis do reino, parece indubitável ter sido o Souto uma das áreas mais afectadas. Logo na entrada de Junot por S. Domingos, nos finais de Novembro de 1807, foi devassada a velha ermida do lugar e queimadas as imagens que aí havia. Relativamente à igreja matriz, testemunhava em 27.5.1815 o P.e José dos Santos Baptista, morador no Souto, perante o corregedor da comarca: «...pelo ver, ser público e bem notório, [afirmo] que a igreja matriz, pela invasão última do exército francês [finais de Abril de 1811], ficou inteiramente arruinada e destruída, assim como as imagens dos seus santos queimadas e despedaçadas». De resto, a taxa de mortalidade cresceu muito: 31 óbitos em 1807, 56 em 1808, 87 em 1809 e, de 1810... 31 só até 26 de Agosto [Falta o livro do assentos de defuntos seguinte, de Setembro 1810 a 1820, que seria o principal como fonte informativa e aquele que discriminaria as vítimas]. ;


- Tramagal
Pelo menos aparentemente, nada sofreram os moradores desta freguesia para além dos efeitos gerais da crise. A análise estatística dos assentos revela a seguinte evolução: em 1808 = 27 óbitos, em 1809 = 19, em 1810 = 65 (sendo 49 só nos três últimos meses), em 1811 = 92 (sendo 52 nos três 1.ºs meses), em 1812 = 20, e em 1813 = 21.

 

As vítimas em alguns dos concelhos vizinhos


- Constância
Esta vila foi, confirmadamente, uma das mais vandalizadas pelas hordas francesas. Não detemos, contudo, a listagem das vítimas nem dos prejuízos por falta dos imprescindíveis assentos paroquiais, o que só por si é indício de ter havido problemas muito graves (com roubos e destruições). O livro de óbitos n.º 4 expira em Janeiro de 1773 e o n.º 5 só tem início em 20.5.1811, quando já tinha passado a fase mais grave dos desacatos (que ocorreu nos finais de Abril). Para agravar este quadro informativo, verificamos falhas de vária natureza nos registos (lapsos, desordem, emendas), saltando de 8.8.1811 para 24.1.1812. Nenhum dos óbitos registados se relaciona directamente com as Invasões, mas o facto de os finados serem sepultados maioritariamente na Misericórdia deixa perceber que a matriz estaria superlotada. Relativamente às freguesias, tanto de Montalvo como de Santa Margarida da Coutada, não há qualquer referência a vítimas directas das invasões nem a qualquer morte violenta causada por franceses, muito embora possamos admitir que as tenha havido: por um lado, é nítido o aumento dos óbitos no período em questão; por outro, encontramos nos registos alguns casos anómalos. [7]


- Sardoal
Detemos informações apenas relativamente à vila, pois faltam os registos de Alcaravela, Santiago de Montalegre e Valhascos. Na 1.ª Invasão assinala-se somente uma vítima mortal, à passagem das tropas retardatárias de Junot: foi a 29 de Novembro de 1807, Ignácio Lopes, de Alcaravela, solteiro de ± 30 anos, natural d’Amieira (Alcaravela), filho de Manuel Lopes e Luísa Maria, do dito lugar, que sucumbiu sem sacramentos, «porque foi morto com um tiro de espingarda por um soldado francês», sendo sepultado no cemitério da matriz do Sardoal, com missa de presente. Mas aquando da 3.ª, todo o espaço concelhio esteve à mercê da soldadesca napoleónica, com saques generalizados e profanação de igrejas em várias ocasiões, e mormente entre Janeiro e Março de 1811 (Vide retro), contabilizando-se aí pelo menos 8 vítimas mortais, em diversas partes e em apenas dois dias de meses e anos diferentes, quase todos mortos a tiro:
No primeiro dia, 8.12.1810: Bernardo José, alfaiate, dos Andreus, casado com Perpétua Joaquina, «sem sacramentos por ser morto pelos franceses de tiro de bala na sua mesma aldeia, e foi sepultado no campo alguns dias depois de haver sido morto, por não haver quem o conduzisse à igreja por causa da invasão do inimigo»; José Pedro, também dos Andreus, maior de 60 anos, casado com Maria Joaquina, «porque o inimigo invadiu a mesma aldeia», igualmente sepultado no campo três ou quatro dias após; João Rodrigues, moleiro, ainda dos Andreus, de ± 80 anos, casado com Luísa Maria, «morto a tiro de bala pela tropa inimiga em uma estrada junto à Venda da Laranjeira», não se sabendo onde foi sepultado; e João Dias Navalho, do Mógão Cimeiro, ± 50 anos, casado com Luísa Felícia, «morto a tiro de bala pelos franceses» e sepultado na igreja.
No 2.º dia, 11.1.1811: Bernardo Apariço, casado com Maria Conceição, assistentes no Casal da Cordeira, freguesia do Sardoal, «morto a tiro de bala pelo inimigo», sendo sepultado no campo por não haver quem o conduzisse à igreja; o P.e João Pinto, da Ordem de Palmela [Santiago], natural e morador na vila do Sardoal, «morto pelo inimigo a tiro de bala» e sepultado alguns dias depois no cemitério paroquial; António da Silva, de ± 40 anos, solteiro, assistente no lugar de Entre as Vinhas, também a tiro de bala e sepultado na capela de Santo António do dito lugar; e Francisco Dias, do lugar de Cabeça das Mós, casado com Antónia da Silva, igualmente a tiro e sepultado na igreja do mesmo lugar.


- Vila de Rei
Apesar de pequeno e pouco povoado, foi este mais um concelho da região fortemente sacrificado. Aquando da 1.ª Invasão, os franceses profanaram a igreja e a Misericórdia, utilizando-as como cavalariças. Em termos de vítimas, registou-se apenas uma, mas esta de superior qualidade militar e social: o Sargento-mor da vila, Francisco António Rodrigues, de 71 anos. Foi a 2 de Dezembro de 1807, depois de a tropa lhe ter entrado em casa e ter despedaçado um Cristo e um S. João Baptista.
Seria sepultado no dia seguinte sem sacramentos, no adro da igreja, «por estar incapaz tudo». Donde se infere que a vila terá oposto resistência, ao que os franceses devem ter respondido sem meias medidas decapitando-a. Com a 3.ª Invasão, Vila de Rei volta a ser castigada: são cerca de uma dezena as vítimas arroladas. Nos registos de óbitos, sobretudo entre meados de Dezembro de 1810 e Março de 1811, evidencia-se também grande desordem; as pessoas morrem sem sacramentos e são sepultadas fora da igreja, justificando-se o vigário encomendado «por estarmos refugiados». E mesmo depois, raramente havia lugar para os mortos na igreja, sendo inumados no adro e algumas vezes nos lugares onde morriam ou nos sítios de refúgio (p. ex., Alcamim, Zaboeira).
Assim, a 20.12.1810, morre Maria de Jesus, viúva, na Zaboeira, e foi sepultada junto ao lugar, «por se não poder vir à igreja» [diz uma nota: «daqui para diante não tem havido cruzes nem bandeira»]; a 24.12.1810, são mortos pelos franceses dois indivíduos, José Martins e Manuel Luís, ambos casados e moradores na Cabecinha, sendo sepultados no campo «por estar tudo invadido pelos inimigos franceses»; a 27.12.1810, são mortos pelos franceses mais dois indivíduos, Manuel Álvares, casado com Luísa da Silva, da Portela, e Luísa Dias, viúva de José da Silva, do Lavadouro; 15.1.1811, é a vez de Manuel Álvares, casado com Maria Luísa, também moradores na Cabecinha, «sem sacramento por ser morto pelos franceses e foi sepultado no campo»; a 16.1.1811, segue-se Manuel Nunes, viúvo, «sem testamento nem sacramentos por causa dos franceses»; a 24.1.1811, vem Domingos Dias, casado com Josefa Maria, moradores no lugar da Macieira, «morto pelos franceses e sepultado no campo»; a 4.2.1811, morre Maria Joaquina, moradora na Zaboeira, e foi enterrada junto do dito lugar «por estar tudo invadido pelos inimigos franceses»; a 17.2.1811, é morto Manuel Nunes, carpinteiro, casado com Maria Josefa, moradores no lugar de Milreu, e foi enterrado «junto ao vilar desta freguesia»; e finalmente, a 24.2.1811, é morto pelos franceses Manuel António Martins, viúvo de Joana Maria, moradores no Brejo Fundeiro, e foi «sepultado no campo por impedimento da igreja». [8]


- Mação
Sobre este concelho, onde também se registaram graves incidentes nas duas invasões, veja-se a Monografia do Concelho de Mação (1947), de António de Oliveira Matos, e nesta revista o competente estudo de Jaime Marques da Silva. [9]


- Gavião
O excelente estudo do Rev.º José Dias Heitor Patrão, Gavião – Memórias do Concelho, ed. Colibri, 2003, com o capítulo das Invasões a ocupar as págs. 313-318, dispensa-nos mais comentários. São de notar nele as várias cartas de Wellington escritas desta vila, a 28 e 29.12.1809.


- Chamusca e Tomar
Também estes concelhos beneficiaram já de apreciáveis estudos históricos. Para o primeiro caso, cite-se o contributo de João José Samouco da Fonseca, em História da Chamusca, vol. II, 2002, cap. V, pp. 125-145. Quanto a Tomar, a bibliografia é mais vasta, mas como instrumento de trabalho continua a ser de grande utilidade o volume que engloba o período aqui em análise, Anais do Município de Tomar (1801-1839), da responsabilidade de Alberto de Sousa Amorim Rosa, ed. da Câmara Municipal de Tomar, 1967.


Considerações finais


Entre 1807 e 1814, Portugal e Espanha foram protagonistas a corpo inteiro, no teatro de operações peninsular, da luta multissecular entre França e Inglaterra. Eram, afinal, nesse tempo, as quatro nações com impérios... E, nesse sentido, pode afirmar-se que a Guerra Peninsular foi um episódio central da guerra global que opôs o Império francês de Napoleão ao Império britânico.
Numa análise global aos sete anos desta Guerra, o exército anglo-luso terá sustentado, 15 batalhas, 215 combates, 14 sítios, 18 assaltos, 6 bloqueios e 12 defesas de praças. O número de vítimas é mais difícil de contabilizar – calcula-se que as tropas portuguesas tenham sofrido 5150 mortos, num total de 21 141 baixas. Mas, os civis que acabaram por morrer em lutas, nas chacinas de represália, em resultado de ferimentos, ou as vítimas da fome, de doenças e do medo espalhadas pelos montes, dificilmente contabilizáveis, terão sido muitos mais.
Neste abreviado estudo, procurei ver a Guerra a partir de Abrantes.
Pois bem, se na 1.ª Invasão não houve problemas de maior, servindo Abrantes a Junot mais como um pequeno oásis para retempero de energias e recuperação de algum equipamento, também como porta de entrada num dos poucos eixos viários do território (que todos eram maus); já na 3.ª Invasão o seu papel foi crucial como bastião e sustentáculo da pressão francesa, vinda sobretudo do Norte e Oeste (lado do Zêzere). A vila, com a colaboração dos reforços ingleses, esteve durante algum tempo quase cercada, numa linha de cintura que ia de Constância ao Penhascoso com o inimigo a dois passos no Sardoal e mesmo infiltrado dentro do concelho (quando chegou a dominar Martinchel, Aldeia do Mato e Souto). Ainda assim, não poderão os abrantinos queixar-se muito, porque outras vilas e concelhos sofreram muito mais...
Em síntese, há claramente alguma factologia tradicional que se confirma; há outra que se complementa; mas colhem-se também algumas novidades. Uma delas, muito óbvia, é que não foi a 1.ª Invasão (de Junot) a mais gravosa para as gentes abrantinas, mormente em vidas sacrificadas – a expulsão dos franceses não causou nenhuma vítima portuguesa na vila e os custos nem sequer correram por conta dos locais (foi gente de fora que empreendeu toda a operação). A 3.ª Invasão foi imensamente pior. Outra constatação é que sofreram mais as aldeias situadas ao longo dos corredores de passagem, e sobretudo da Zona Norte (Aldeia do Mato, Martinchel e Souto). Por fim, verifica-se que não foram só os jacobinos e maçons franceses os "maus da fita", como certa historiografia tendeu a fazer crer...
Afinal, entre os invasores também houve espanhóis e de outras nacionalidades; houve sítios onde os invasores nunca entraram e onde os autênticos usurpadores e destruidores foram os "aliados" ingleses. Sobre isto é bem conhecida a história dos tempos seguintes que geraram a conspiração de Gomes Freire de Andrade e a Revolução de 1820. E uma pequena prova, entre muitas outras que poderão aduzir-se, é o documento que em anexo se transcreve (Doc. 2), pois que vem subverter de algum modo a visão tradicional dos acontecimentos, recolocando novas e pertinentes questões sobre a matéria e relançando outras. É que posteriormente e até aos nossos dias muita propaganda e muita animosidade se gerou (geralmente anti-francesa), consoante os preconceitos ideológicos.
Bem verdadeiro é o aforismo que nos diz que a história prevalecente é a dos vencedores. Importa, pois, desmistificar a filosofia belicista. Uma guerra é uma guerra, quase sempre imposta de cima e de longe e não desejada pelos que a sofrem, com vítimas inocentes e a sofrerem de ambos os lados. Por outro lado, neste conflito, se houve páginas de horror e caos, próprias de uma guerra e de uma mentalidade por vezes abstrusa (que é inata ao próprio homem e como tal ainda se vai manifestando hoje, até em sociedades desenvolvidas!), também houve páginas de fraternidade e humanismo, como foi em Abrantes o lamento sentido pela morte do corregedor francês, ou o gesto de gratidão do oficial francês para com a boa samaritana de S. Miguel ao ofertar-lhe a belíssima imagem da Virgem.
Termino com dois apontamentos:
O primeiro para lembrar que, com estas comemorações bicentenárias que se prevêem, Abrantes honra a sua Memória e a sua História. Já o fizera há 100 anos (1907-1911), com um programa evocativo interessante, mas em que ainda prevalecia a ideia da «libertação gloriosa do jugo francês», o nosso «inimigo», como se pode ver pela Acta da sessão da CMA de 17.8.1908 e pela lápide descerrada a 7 de Março de 1911, no muro fronteiro aos lagos do Jardim do Castelo, onde se lê o seguinte:


«1808-1809 - 1811-1911 / 1º CENTENARIO DA GUERRA PENINSULAR. A 17 DE AGOSTO DE 1808, UM GRUPO DE PATRIOTAS ABRANTINOS / ARMADOS DE CHUÇOS E POUCAS ESPINGARDAS, DIRIGIDO PELO CAPITÃO DE CAVALLARIA / MANOEL DE CASTRO CORREIA DE LACERDA, TOMA A PRAÇA DE ABRANTES / OCCUPADA POR 200 FRANCEZES BEM ARMADOS DO EXERCITO DO GENERAL JUNOT. / DE OUT.º DE 1810 A MARÇO DE 1811, DURANTE A INVASÃO DO EXERCITO DO MARECHAL MASSENA, / A MESMA PRAÇA, PONTO ESTRATEGICO IMPORTANTE PARA O EXERCITO ANGLO-LUSO, / MANTEM-SE SEMPRE EM PODER DOS NOSSOS, APESAR DE INVESTIDA PELO INIMIGO, / PADECER PRIVAÇÕES E DOENÇAS, NUNCA SE ABATENDO O MORAL DO POVO / E GUARNIÇÃO COMMANDADA PELO CORONEL JOÃO LOBO BRANDÃO D’ALMEIDA»


Hoje tudo é diferente, pois até temos a colaborar connosco os nossos amigos franceses (de Parthenay), com quem temos um pacto de geminação, aliás o único de Abrantes na Europa!...
O segundo apontamento é a existência em Lisboa (nossa capital), na bela Praça/rotunda de Entrecampos, de um interessante monumento que toda a gente olha e conhece de vista, mas que poucos verão e conhecerão bem. Ele é dedicado «Ao Povo e aos heróis da Guerra Peninsular: 1808-1814». É uma obra do estatuário J. d’Oliveira Ferreira e do arq.º F. d’Oliveira Ferreira, feita em 1932. E, nessa obra, existem diversas homenagens, sendo uma delas – justíssima – precisamente ao Povo e à Cidade de Abrantes, pois aí figura o seu Brasão, voltado para o Rio Tejo e para o coração da urbe. Observem bem, quando por lá passarem: Ao centro está Lisboa, de um lado Torres Vedras (a evocar as famosas linhas de Torres), e do outro... ABRANTES!...

...

Ver:

Guerra dos Sapatos

domingo, 6 de fevereiro de 2011

Guerra de Africa - 50 Anos

In "Reportagem - Sábado":

O inicio da guerra foi a 4 de Fevereiro de 1961.

Testemunho de cinco militares:




sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

PROTEJA-SE DAS FRAUDES

In "Blogue Aduaneiro, Alfândegas, Customs, Douanes, Aduanas, Comércio Mundial, Import-Export":

UM GUIA DE FRAUDES, VIGARICES, TRAPAÇAS, BURLAS, INTRUJICES, LOGROS E DESFALQUES PARA USO DO CONSUMIDOR.

A DG Consumidor lançou, na passada sexta-feira, o "Livro Negro das Fraudes"

- versão portuguesa do "Little black book of schemes" australiano.

Pelo sucesso alcançado por esta publicação junto da população e no seio do ICPEN, a DGC pediu autorização para traduzir e adaptar este pequeno manual à realidade portuguesa, com o propósito de informar os consumidores e prevenir que os mesmos venham a ser alvo de esquemas como aqueles ali descritos.

“Todos os anos os consumidores perdem grandes quantias de dinheiro em fraudes concebidas por “especialistas”. Os vigaristas estão constantemente a desenvolver novas formas de reinventar velhas fraudes. Não se deixe enganar, se o negócio parecer bom demais para ser autêntico, é porque, provavelmente, é... fraude.”

O Guia pode ser consultado ou descarregado em: http://www.consumidor.pt/ Publicações > Comércio Electrónico>O Livro Negro dos Esquemas e Fraudes na NET

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Aspirina reduz risco de morte por câncer, diz estudo

In "BBC Brasil - Ciência & Saúde":

Uma pequena dose diária de aspirina é capaz de reduzir substancialmente o risco de morte por uma série de tipos de câncer, segundo sugere um estudo britânico.

A pesquisa coordenada pela Universidade de Oxford verificou que uma dose diária de 75 mg reduziu em até 20% a chance de morte por câncer.

O estudo, publicado na última edição da revista científica The Lancet, analisou dados de cerca de 25 mil pacientes, a maioria deles da Grã-Bretanha.

Especialistas dizem que os resultados mostram que os benefícios da aspirina comumente compensam os riscos associados, como aumento da possibilidade de sangramentos ou irritação do sistema digestivo.

Outros estudos já haviam associado a aspirina à redução dos riscos de ataques cardíacos ou de derrames entre as pessoas nos grupos de risco.

Mas acredita-se que os efeitos de proteção contra doenças cardiovasculares sejam pequenos entre adultos saudáveis. Também há um risco maior de sangramentos no estômago e no intestino.

Porém a pesquisa publicada nesta terça-feira afirma que, ao avaliar os benefícios e os riscos do consumo de aspirina, os médicos deveriam também considerar seus efeitos de proteção contra o câncer.

As pessoas que consumiram o medicamento tiveram um risco 25% menor de morte por câncer durante o período do estudo, e uma redução de 10% no risco de morte por qualquer causa em comparação às pessoas que não consumiram aspirina.

Longo prazo

O tratamento com a aspirina durou entre quatro e oito anos, mas um acompanhamento de mais longo prazo de 12.500 pessoas mostrou que os efeitos de proteção continuaram por 20 anos tanto entre os homens quanto entre as mulheres.

Após 20 anos, o consumo diário de aspirina ainda tinha o efeito de reduzir em 20% o risco de morte por câncer.

Ao analisar os tipos específicos da doença, os pesquisadores verificaram uma redução de 40% no risco de morte por câncer de intestino, 30% para câncer de pulmão, 10% para câncer de próstata e 60% para câncer de esôfago.

As reduções sobre cânceres de pâncreas, estômago e cérebro foram difíceis de quantificar por causa do pequeno número de mortes por essas doenças entre as pessoas pesquisadas.

Também não havia dados suficientes para analisar os efeitos da aspirina sobre cânceres de ovário ou de mama, mas os autores da pesquisa sugerem que a razão para isso é que não haveria mulheres suficientes entre as pessoas analisadas.

Mas estudos de larga escala sobre os efeitos da aspirina sobre esses tipos específicos de câncer estão em andamento.

O coordenador do estudo, Peter Rothwell, disse que ainda não aconselha os adultos saudáveis a começarem a tomar aspirina imediatamente, mas afirmou que as evidências científicas estão “levando as coisas nessa direção”.

Segundo Rothwell, o consumo diário de aspirina dobra os riscos de grandes sangramentos internos, que é de 0,1% anualmente. Mas ele diz que os riscos de sangramento são “muito baixos” entre adultos de meia idade, mas aumentam bastante entre os maiores de 75 anos.

Segundo ele, o tempo ideal para começar a considerar tomar doses diárias de aspirina seria entre os 45 e os 50 anos, por um período de 25 anos.

 

Ver:

Aspirin Helps in Reducing Cancer Deaths, a Study Finds

 

Effect of daily aspirin on long-term risk of death due to cancer: analysis of individual patient data from randomised trials

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

"O Anjo Branco", de José Rodrigues dos Santos

In "JN":

o-anjo-branco2 José Rodrigues dos Santos quis escrever "um romance como nunca tinha sido escrito sobre a guerra colonial e os portugueses em África" e o resultado é "O anjo branco", inspirado na história do pai, livro desde ontem nas livrarias.

O protagonista do oitavo romance de Rodrigues dos Santos chama-se José Branco, um médico que foi viver para Moçambique na década de 1960 e que, perante as enormes carências sanitárias do país, criou o revolucionário Serviço Médico Aéreo, deslocando-se num pequeno avião, o que lhe valeu o epíteto de "anjo branco", por descer do céu vestido de branco. "Inspirei-me no meu pai: o romance conta a história de um médico que é punido pela administração colonial e enviado para Tete, um sítio perdido no coração de África conhecido por "o cemitério dos brancos"", disse o autor, em entrevista à Lusa.

"Sob a responsabilidade do médico fica um território em Moçambique com o tamanho de Portugal continental. E, para dificultar ainda mais as coisas, começa entretanto a guerra. Como lidar com a situação? Este foi o cenário que o meu pai enfrentou em Moçambique e é aquele que se depara diante da personagem principal de "O anjo branco"", revelou.

O escritor e jornalista da RTP, de 46 anos, decidiu contar esta história inspirada em factos reais, que lhe exigiu "muita investigação" - teve de "conversar com imensa gente, ver muita documentação e visitar por duas vezes os locais da acção em Moçambique" -, por considerar que "estava por escrever o grande romance português sobre a Guerra Colonial. Fico com a impressão de que a literatura que se produziu sobre o assunto é complexada e colorida ideologicamente, com "bons" de um lado e "maus" do outro, ou, então, é bacocamente saudosista", defendeu.

"Quis fugir a esses dois registos - sublinhou -, quis escrever um romance descomplexado que mostrasse as grandezas e as misérias e também as contradições da nossa presença em África. Quis, sobretudo, escrever um romance como nunca tinha sido escrito sobre a guerra colonial e os portugueses em África".


"O anjo branco" é passível de encomenda online, em sites como os da Fnac e da Wook.

 

(José Rodrigues dos Santos, é autor de sete romances ("A Ilha das Trevas", "A Filha do Capitão", "O Codex 632", "A Fórmula de Deus", "O Sétimo Selo", "A Vida Num Sopro" e "Fúria Divina").

sábado, 27 de fevereiro de 2010

Ter dois filhos faz bem ao coração

In "Correio da Manhã":

A saúde cardiovascular nas mulheres está relacionada com o número de filhos. A conclusão é de um estudo divulgado pelo ‘American Heart Journal', que refere que ter dois filhos é bom para o coração.

A análise, realizada na Suécia, concluiu que de um total de 1,3 milhões de mulheres que tinham mais de 50 anos, as que tinham dois filhos apresentavam menos problemas cardíacos. Além disso, as que não tiveram bebés ou apenas um apresentavam dez por cento de mais possibilidades de virem a sofrer do coração ou de enfartes.
Mas se se pensa que quantidade quer dizer qualidade, a mesma análise, que impressionou os especialistas pela dimensão considerável da amostra, refere que as mulheres com quatro filhos aumentavam os riscos cardíacos até 30 por cento. No caso das mães com cinco ou mais crianças a percentagem chega a subir até aos 60%.
Os investigadores consideram então que a gravidez pressupõe fluxos sanguíneos importantes para a mulher.

imagedownload Gravidez pressupõe importantes mudanças no fluxo sanguíneo

Homens infelizes sofrem mais AVC

In "Correio da Manhã":

Um estudo norte-americano concluiu que os homens solteiros ou infelizes com o casamento têm uma maior probabilidade de sofrer um derrame cerebral, um AVC.

As conclusões do estudo foram apresentadas na passada quarta-feira numa conferência internacional organizada pela Associação Americana de Derrames Cerebrais.

Os investigadores avaliaram informações recolhidas a mais de 10 mil homens há 50 anos atrás sobre doenças cardiovasculares, cruzaram-nas com dados mais recentes e concluíram que o risco de sofrer um AVC aumenta em 64 por cento nos solteiros e nos homens casados que se dizem infelizes com o matrimónio, segundo o site ‘G1’.

ca967162-b341-4feb-88dd-fecb0766bf67_738D42D9-134C-4FBE-A85A-DA00E83FDC20_211D290D-C018-45C4-A6C0-AEC0875B7767_img_detalhe_noticia_pt_1 Infelicidade aumenta risco de derrames cerebrais nos homens

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

Sesta repara espaço de memória

In "DN - Ciência":

ng1258985 Período de sono da tarde esvazia o armazém cerebral temporário e melhora capacidade de aprendizagem

O senso comum sabe-o há muito: uma boa sesta de uma hora e pouco a seguir ao almoço refresca as ideias e faz bem à saúde. Mas os cientistas confirmaram agora experimentalmente que esse período de sono a meio do dia melhora as capacidades cognitivas e perceberam porque que é que isso acontece. O sono é essencial para esvaziar o armazém cerebral temporário das memórias e assim arranjar espaço para novas aprendizagens. Esta foi uma novidade apresentada ontem na conferência anual da American Association for the Advancement of Science (AAAS), que está a decorrer em San Diego, na Califórnia.
"O sono tem efeitos reparado-res após um período prolongado de vigília, mas melhora também as capacidades neurocognitivas, em relação àquilo que elas eram antes da sesta", explicou Matthew Walker, professor e investigador de psicologia na Universidade de Berkeley, e o principal autor do estudo.
Para chegar a esta conclusão, os investigadores avaliaram um total de 39 jovens adultos, que dividiram em dois grupos: um com direito a sesta, o outro não. Ao meio--dia, todos os voluntários eram sujeitos a vários exercícios cognitivos, cujo objectivo era estimular o hipocampo, uma região do cérebro envolvida no armazenamento de informações temporárias. Aí, ambos os grupos exibiram desempenhos idênticos. Duas horas depois, o grupo da sesta era autorizado a dormir durante hora e meia, enquanto os outros ficavam acordados. Às 18.00, todos voltavam aos exercícios cognitivos, que consistiam na memorização de uma quantidade de informações.
Os desempenhos de ambos os grupos foram significativamente diferentes, verificaram os cientistas. Os que não dormiram tiveram resultados inferiores aos que tinham obtido nos primeiros exercícios do meio-dia (e aos do outro grupo) e os da sesta melhoraram em média o seu desempenho em relação aos mesmos exercícios.
O grupo de Matthew Walker já tinha descoberto em 2007 que o hipocampo é o local no cérebro onde as informações são armazenadas temporariamente antes de serem enviadas para o córtex pré--frontal, onde parece haver mais espaço de memória. Agora o grupo deu mais um passo no conhecimento deste processo, ao descobrir que esta transferência de informações se faz exactamente durante o sono.
"É como se a inbox dos e-mails, o hipocampo, estivesse cheia. Enquanto não se dormir para a limpar, não se recebem mais e-mails. Eles voltam para trás até que o sono permita que eles sejam transferidos para outro folder", exemplificou Matthew Walker.
Justamente, o que o estudo do seu grupo agora revelou foi que esta transferência de memórias entre o hipocampo e o córtex pré--frontal se faz durante o sono, e numa fase muito específica, a fase 2 NREM (não REM), que ocorre entre o sono profundo (também não REM) e a fase REM (papid eye movement), durante a qual ocorrem os sonhos. Desconhecia-se até agora que função teria esta fase 2 NREM do sono, mas o estudo de Matthew Walker tornou claro que ela serve pelo menos para esta limpeza do hipocampo, para libertar espaço de memória temporária no cérebro.
A equipa pretende agora averiguar se existe alguma relação entre a progressiva perda de memória ligada à idade e a diminuição média de horas de sono experimentada também pelas pessoas idosas.

terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

Melhor do que atenção, a felicidade das crianças está na boa relação dos pais

In "DN":

Os pais sonham com filhos bem sucedidos e felizes. Por isso, investem dinheiro e atenção na sua educação, inscrevendo-os em todo o tipo de actividades e controlando todos os seus passos. Mas, para atingir esse objectivo, devem passar menos tempo a tentar ser os pais perfeitos e investir mais no próprio casamento. Uma tarefa que pode ser difícil para as mães portuguesas, que os especialistas consideram excessivamente protectoras.

A tese de deixar os filhos em segundo lugar é defendida pelo terapeuta norte-americano David Code, no livro To Raise Happy Kids, Put Your Marriage First (Para Educar Crianças Felizes, Ponha o Seu Casamento em Primeiro Lugar, tradução livre em português). E é também apoiada pelos especialistas portugueses. O psicólogo Eduardo Sá alerta que os pais portugueses estão a "criar uma geração de imunodepressivos". Pois, hoje em dia, "as crianças já não brincam na rua, não comem fruta das árvores e não têm experiências", acrescenta. Por isso, o especialista lembra que "proteger não significa proteger de mais". A mesma opinião é defendida pelo terapeuta Rui Ferreira Nunes, que considera "mais prejudicial a sobreprotecção do que ausência pontual dos pais". Considerando mesmo que a influência das mães muito zelosas, como as portuguesas, "tem consequências muito negativas".

Outro problema é que muitas vezes, para dar atenção aos filhos, os pais esquecem-se da sua relação. Daí que os especialistas portugueses também chamem a atenção para a necessidade do casal investir em si. "É importante que os filhos saibam que os pais têm uma relação saudável ao mesmo nível da que têm com eles", refere Eduardo Sá.

Enquanto Rui Ferreira Nunes realça o efeito desse exemplo nas crianças. Já que "a imagem de afecto dos pais vai ser o modelo de relação na sua vida futura, tanto nas relações de trabalho como amorosas", entende.

O excesso de protecção e atenção que os pais dão aos filhos determina os seus comportamentos no futuro. Assim, não são estranhas as birras que muitos adultos fazem. "Quando as coisas não correm bem vemos adultos a fazerem birra ou a amuar", refere Rui Ferreira Nunes. Estas atitudes mostram que "foram crianças muito mimadas", acrescenta.

Além de que as pessoas que estão habituadas a ter sempre o que querem são mais dependentes e "menos consequentes no seu comportamento". Ou seja, "não prevêem o impacto que o seu comportamento tem nos outros", alerta o psicoterapeuta.

Menos convictos dos efeitos do excesso de protecção estão os pediatras Gomes Pedro e Luís Januário. O presidente da Sociedade Portuguesa de Pediatria entende que a protecção excessiva das crianças deve-se ao facto das famílias serem mais pequenas. Já Gomes Pedro considera que o bom senso deve imperar.

domingo, 14 de fevereiro de 2010

Amor é coisa que não se recebe: uma visão radical sobre a dinâmica dos relacionamentos

In "Não Dois, Não Um: um blog sobre relacionamentos lúcidos":

“She understands that she will never receive enough love from a relationship nor from her self-acceptance. She has realized that when she wants to feel love, all she needs to do is give love. In fact, that is the only time she feels love – when she is loving.”

“Ela compreende que ela nunca receberá amor suficiente de um relacionamento nem de sua auto-aceitação. Ela descobriu que quando deseja sentir amor, tudo o que ela precisa fazer é dar amor. De fato, esse é o único momento em que ela sente amor – quando está amando.” [tradução livre]

David Deida, Intimate Communion

 

No fim, ela acabou traindo o cara. Passou os últimos meses morando com um e se apaixonando por outro. No dia da mudança, eles conversaram com mais calma, deitados na dor um do outro. Ele declarou seu amor, disse que era louco por ela, que tinha perdoado a traição, que sequer via tudo como traição. Tarde demais: ela já estava no meio de outra história. Ao ouvi-lo sobre seu amor, confessou: “Eu não sabia de nada disso! Por que você não me agarrou antes? Por que não me disse todo dia, por que não se declarou completamente olhando nos meus olhos?”.

Ele surpreso com a reação e ela continuou: “Eu via você fechado, mal, calado. Pensei que não me amava mais. Então segui com minha vida”. É como se ela estivesse dizendo: “Se soubesse que você me amava, eu não teria feito nada disso”. Mais ainda: “Como parei de sentir seu amor, deixei de amá-lo. Tivesse você me amado, eu teria amado você também. Antes de ir embora, ela ainda admitiu: “Eu quero casar e vou casar com quem me amar”.

Eu queria não saber descrever essa história. Queria que ela fosse raridade, um caso exótico apresentado em um noticiário que ninguém assiste. Queria que ela não estivesse ao nosso redor, ou melhor, tão dentro de nós. Queria que não fosse a nossa história.

O desejo de ser amado, a ânsia de ser visto, tocado, adorado. Alguém passa por perto e imaginamos como seria se tivesse curiosidade e interesse por nós, se quisesse saber tudo sobre nós. O desejo de ser desejado. Será que consigo deixar alguém excitado, será que consigo fazer algum olho brilhar por mim? Até que alguém enfim esbarra em nós e vem com desejo, curiosidade e acolhimento. Por sermos tocados, queremos tocar. Por sermos desejados, desejamos. Ao nos sentirmos amados, amamos. Será? A carência é sábia feiticeira. Será mesmo que o amor é essa coisa passiva? “Vou casar com quem me amar”…

Se só abraçamos quem nos abraça, nunca saberemos qual a textura de nosso abraço, nunca saberemos de fato o que é abraçar. O abraço pelo qual levantamos e vamos até o outro, esse não morre, não cessa, ainda que o outro solte os braços e nos abandone. A potência de abraçar é o que importa e é por ela que sentimos um abraço, não pelo corpo exterior que nos retribui ou nos larga. Tal é a diferença entre felicidade autêntica e prazer temporário: se sentimos nossa incessante capacidade de abraçar ou se somos reféns dos braços do outro.

Eu posso estar louco, mas confesso que nunca me senti amado. Nunca senti o amor vindo de fora, de nenhuma direção: família, namoradas, amigos. Deles já senti afeto, cuidado, paixão, carinho, tudo. Mas amor? Amor é essa coisa outra.

Quando amo, quando sinto o amor circular dentro de mim, é sempre como um gesto, uma ação, algo que faço em todas as direções, de dentro para fora. Respiração, abertura, repouso. Entrega. Sentir tudo me percorrer e conseguir penetrar tudo e todos. Olhar a beleza além do outro e fazê-la florescer. Ficar aberto e fazer de minha abertura uma chave para escancarar qualquer um.

Será que algum dia já recebemos amor? Como receber uma ação que nós mesmos temos de fazer? Amor é coisa que não se recebe. Quando uma mulher oferece amor para um homem, ele recebe carinho, cuidado, toque, mas não amor. Quando um homem ama uma mulher, ela pode sentir paixão, acolhimento, segurança, mas não amor. Amor é coisa que se dá.

Música é um bom exemplo: um baterista, ao fazer seus movimentos rítmicos, tem uma experiência totalmente diferente daquele que ouve o som produzido. Nenhum som equivale à experiência de produzi-lo; assim também com afeto, cuidado e carinho em relação ao amor.

massagem Sentir com o peito nossa potência de amar é muito mais gostoso do que sentir algo passivamente vindo do outro. Quando praticamos o amor, é como se fizéssemos e recebêssemos uma massagem. A um só tempo, sentir e ser sentido, tocar e ser tocado. Quando recebemos carinho, deixamos de sentir o prazer de acariciar. Por outro lado, quando acariciamos, uma mágica acontece: simultaneamente nosso toque é a interface pela qual o outro nos acaricia também.

No amor e pelo amor, passividade a atividade se tornam um único processo. É assim que podemos explicar a misteriosa dinâmica do amor: quando amamos, somos amados, e não o contrário! A sensação genuína de “ser amado” é simplesmente o efeito de sentir o amor, de ser amor, de amar.  E isso pode acontecer mesmo que o outro não nos ame ou sequer goste de nós!

Quando Sêneca diz “Si vis amaria, ama” (”Se quiser ser amado, ame”), ele não quer dizer que o outro vai amar você de volta, mas que a sensação de ser amado vem da ação de amar, não da reação ao amor do outro.

No entanto, a sensação de ser amado existe e pode facilmente ser desvinculada de seu processo criador. Um momento de sonolência e perdemos contato com nossa potência autônoma, um lapso e temos a nítida sensação de que o amor vem do outro – o mesmo amor que nós mesmos fizemos circular! Aqueles que ficam distraídos por muito tempo começam a achar que o amor só pode mesmo vir de fora e então passam a vida nessa busca.

Mas é possível acordar. A mulher de nossa história inicial deixou vazio o objeto de amor de seu ex-namorado. Com o fim, talvez ele perceba que, ainda sem destino ou recipiente algum (”O que eu faço com tudo isso que sinto? Onde jogo esse mundo inteiro aqui?”), seu amor persiste. A ausência de foco para seu sentimento é o que o levará à descoberta do amor que não cessa e sua capacidade de direcioná-lo para qualquer pessoa. Ele então andará pelo mundo fortalecendo sua potência de amar. Bastará um olhar para praticar o amor de acordo com o tecido da relação. Com um amigo, ele se manterá aberto, presente, verá qualidades positivas, encontrará beleza e se conectará com isso, agirá a partir disso. Com sua família, com seus parceiros de trabalho, com as futuras namoradas, a mesma prática.

Ela também pode percorrer o mesmo caminho. Após o fim, perceberá que seu novo parceiro nunca conseguirá preenchê-la totalmente. Pode tentar ficar sozinha por um tempo e ler vários livros de auto-ajuda americanos sobre self-love. Isso também será insuficiente. Ela não se contentará em depender de relacionamentos, da natureza ou das artes para sentir amor – nem tampouco encontrará satisfação em amar a si mesma. Então ela talvez experimente um abraço que não seja recebido, que se mantenha mesmo quando o outro momentaneamente solta. E quando isso acontecer, descobrirá que não é necessário achar outra pessoa para continuar se sentindo abraçada. Basta continuar abraçando…

* Dedico esse post ao casal Marina e Ian, como representantes de todos aqueles que buscam agir a partir da autonomia do amor.

** Escrito sob efeito dos seguintes albuns: The Beekeeper (Tori Amos), In Rainbows (Radiohead) e Into the Wild (trilha sonora do filme com músicas do Eddie Vedder).

*** Se chegou até aqui, saiba que eu adoraria ouvir você sobre esse tema. Esse lance de só oferecer e não receber é furado! Eu escrevi, agora quero comentários. Escreva aí… ;-)

Ver também:

Casar por amor é uma péssima idéia! – Parte 1

Casar por amor é uma péssima idéia! – Parte 2

Casar por amor é uma péssima idéia! – Parte 3

Seja você a pessoa certa

 

domingo, 31 de janeiro de 2010

Como Abrantes se tornou na capital da energia

In "Expresso.pt":

Abrantes concentrará, até final do ano, 12% do total da capacidade electroprodutora nacional. O sector da energia dará ali emprego a 3000 pessoas e algumas empresas já estão a recrutar entre os desempregados da Quimonda e da Delphi.

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

Sexo faz bem ao coração

In "Expresso.pt":

Estudo americano afirma que ter relações sexuais duas vezes por semana ajuda a diminuir a incidência de diabetes e a reduzir a tensão arterial. O estudo, publicado esta semana no "American Journal of Cardiology", garante que o sexo não só faz bem ao relacionamento entre o casal, como também ajuda a proteger o coração. No estudo feito por médicos do New England Research Institute, homens com uma vida sexual menos activa têm uma incidência maior de distúrbios, como a disfunção sexual, o colesterol e a hipertensão.

Segundo a investigadora Susan A. Hall, coordenadora do estudo, fazer sexo de duas a três vezes por semana pode ter um efeito protector para o coração. Para além da prática do sexo poder ser um exercício de intensidade moderada, as hormonas libertadas após a ejaculação, ajudam a equilibrar uma série de funções metabólicas. Segundo os pesquisadores os homens com mais disposição para o sexo costumam ser menos sedentários e cuidarem melhor da saúde.

O estudo demonstra também que homens que fazem sexo em média uma vez por mês têm o dobro dos problemas de saúde daqueles homens que têm relações sexuais mais do que uma vez por semana.

A pesquisa foi realizada em 1165 homens com idade média de 50 anos, sem histórico de doenças do coração, no início do estudo. Os participantes foram acompanhados durante 16 anos.

Ver:

American Journal of Cardiology States Men Who Have Sex Twice A Week Cut in Half the Risk of Serious Heart Disease:

(CBS) A new study in the American Journal of Cardiology finds that men who have sex at least twice a week can almost halve their risk of developing serious heart disease.
And sex may have other health benefits, as well, notes Dr. Holly Phillips of WCBS-TV in New York.
On "The Early Show" Friday, Phillips said the research, published in the American Journal of Cardiology, tracked more than 1,000 men for 16 years, 40- to 70-years-old, with no history of heart disease.
It was found that men who had sex twice a week or more were as much as 45 percent less likely to develop serious heart conditions than men having sex less than once a month.


Watch CBS News Videos Online

sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

O QUE É UMA CRIANÇA INDIGO

In "Centro Terapêutico S. Rafael":

Será o seu Filho Uma destas Crianças ?????

200803051123440

Descrição:

O que é uma Criança Índigo?
Uma Criança Índigo é aquela que apresenta um novo e incomum conjunto de atributos psicológicos e mostram um padrão de comportamento. Este padrão tem factores comuns e únicos que sugerem que aqueles que interagem com elas (pais em particular) mudam seu tratamento e orientação com objectivo de obter o equilíbrio. Ignorar esses novos padrões é potencialmente criar desequilíbrio e frustração na mente desta preciosa nova vida.


Existem vários tipos de Índigos, mas na lista a seguir nós podemos dar alguns dos padrões de comportamento mais comuns:
• Elas vêm ao mundo com um sentimento de realeza e frequentemente agem desta forma.
• Elas têm um sentimento de desejar estar aqui e ficam surpresas quando os outros não compartilham.
• Auto-valorização não é uma grande característica. Elas frequentemente contam aos pais quem elas são.
• Elas têm dificuldades com autoridade absoluta sem explicações e escolha.
• Elas simplesmente não farão certas coisas; por exemplo, esperarem quietas o que é difícil .
• Elas tornam-se frustradas com sistemas ritualmente orientados e que não necessitam de pensamento criativo.
• Elas frequentemente encontram uma melhor maneira de fazer as coisas, tanto em casa como na escola, o que as fazem parecer como questionadores de sistema (inconformistas com qualquer sistema).
• Elas parecem anti-sociais a menos que estejam com outras do mesmo tipo. Se não existem outras crianças com o nível de consciência semelhante em volta, elas frequentemente  tornam-se introvertidas, sentindo-se como se ninguém as entendesse. A escola é freqüentemente difícil para elas do ponto de vista social.
• Elas não responderão à pressão por culpa do tipo: Espera até o teu pai chegar e descobrir o que fizeste.
• Elas não são tímidas em fazê -lo perceber do que elas precisam. O termo 'Crianças Índigo' vem da cor da aura dessas crianças.
Nós estamos vendo uma nova geração de Mestres vindo para nosso planeta e elas são também chamadas de 'Crianças Estrela', 'Crianças Azuis' e elas são chamadas, a partir de nossa perspectiva, de 'Crianças Índigo'.
Elas são nossa esperança para o futuro. Elas são nossa esperança para o presente. E isso, esotericamente falando, é o que está realmente acontecendo.


Tipos de Crianças Índigo
Existem quatro tipos diferentes de Índigos e cada um tem uma proposta:
1. Humanista:
Primeiro, existe o Índigo Humanista que vai trabalhar com as massas. Eles serão os futuros doutores, advogados, professores, vendedores, executivos e políticos. Vão servir as massas e são hiperactivos. São extremamente sociais. Conversam com toda a gente e fazem amizade facilmente. São desastrados do ponto de vista motor e hiperactivo, como dito anteriormente, e de vez em quando, eles vão dar com a cara nos muros, pois esquecem-se de parar. Eles não sabem brincar com apenas um brinquedo. Ao invés disso, trazem todos para fora e os espalham. Às vezes, não tocam na maioria destes. São do tipo que têm que ser permanentemente lembrados, pois freqüentemente se esquecem das ordens simples e distraem-se.
Por exemplo, você pede para eles arrumarem o quarto. Eles começam a arrumar e de repente encontram um livro e começam a ler porque são leitores ferozes.
2. Conceitual:
Os Índigos Conceituais estão mais para projectos do que para pessoas. Serão os futuros engenheiros, arquitetos, projetistas, astronautas, pilotos e oficiais militares. Eles não são desajeitados, ao contrário, são bem atléticos como crianças. Eles têm um ar de controle e a pessoa que eles tentam controlar na maioria das vezes é a mãe se são meninos. As meninas tentam controlar os pais. Se eles são impedidos de fazer isso, existe um grande problema. Este tipo de Índigo tem tendência para outras inclinações, especialmente as drogas na puberdade. Os pais precisam observar bem o padrão de comportamento dessas crianças quando elas começarem a esconder ou a dizer coisas tais como, 'Não vás ao meu quarto': é exatamente quando os pais precisam de se aproximar mais.
3. Artista:
Este tipo de Índigo é muito mais sensível e frequentemente menor em tamanho, embora isso não seja uma regra geral. Eles são mais fortemente ligados às artes. Eles são criativos e serão os futuros professores e artistas. Em qualquer campo que eles se dediquem será sempre pelo lado criativo. Se eles entrarem na medicina, eles se tornarão cirurgiões ou pesquisadores. Quando eles entrarem nas artes, eles serão o actor dos actores. Entre 4 a 10 anos eles podem gostar até 15 diferentes artes criativas - fazer uma por cinco minutos e encostar. Portanto, se diz às mães de artistas e músicos, 'Não compre instrumentos, mas alugue'. O Índigo Artista pode trabalhar com até 5 instrumentos diferentes e então, quando eles entrarem na puberdade, escolherão um campo e se empenharão para se tornarem artistas nessa especialização.
4. Interdimensional:
O Índigo Interdimensional é muito maior do que os demais Índigos, do ponto de vista de estatura. Entre 1 e 2 anos de idade você não pode dizer nada para eles. Eles dizem: 'Eu já sei. Eu posso fazer isso. Deixe-me sozinho'. Eles serão os que trarão novas filosofias e espiritualidade para o mundo. Podem ser mais valentões porque são muito maiores e também porque não se encaixam no padrão dos outros três tipos.Dicas para reconhecer os Índigos
Os autores listam as seguintes características para ajudar a identificar se sua criança é um Índigo:
• Tem alta sensibilidade
• Tem excessivo montante de energia
• Distrae-se facilmente ou tem baixo poder de concentração
• Requer emocionalmente estabilidade e segurança de adultos em volta dela
• Resiste à autoridade se não for democraticamente orientada
• Possui maneiras preferenciais no aprendizado, particularmente na leitura e matemática
• Podem se tornar frustrados facilmente porque têm grandes idéias, mas uma falta de recursos ou pessoas para assistirem pode comprometer o objetivo final
• Aprendem através do nível de explicação, resistindo à memorização mecânica ou serem simplesmente ouvintes.
• Não conseguem ficar quietas ou sentadas, a menos que estejam envolvidas em alguma coisa do seu interesse
• São muito compassivas; têm muitos medos tais como a morte e a perda dos amados
• Se elas experimentarem muito cedo decepção ou falha, podem desistir e desenvolver um bloqueio permanente.

Ver:

Criança índigo

Crianças Indigo | Isabel Leal

ESSAS INTUTIVAS CRIANÇAS.........:

As Crianças Índigo encarnaram neste tempo por uma razão muito sagrada: para introduzir uma nova sociedade baseada em honestidade, cooperação e amor.

O QUE PODEMOS FAZER ???:

Estas crianças estão aqui para nos ajudar na transformação do mundo. Portanto, nós precisamos aprender com elas, principalmente escutando-as e observando-as.

O que é uma Criança Índigo?

Documentário da ABCnews sobre o tema das Crianças Índigo:

 

És uma criança Indigo? Faz o teste...

 
View My Stats